quarta-feira, 11 de março de 2009

Did you Know? ... Versão PT-BR...

Did you Know? ... Shift Happens!

A Crise...

Direito de influência

Direito de influência

Quando não há convicções não há influência. Os pais demitem-se de influenciar os filhos, os mestres demitem-se de influenciar os alunos, os artistas de influenciar os gostos.

Assim, os que acham que a Igreja Católica não tem o direito de manifestar a sua opinião, de influenciar os políticos, os legisladores, os educadores, pretendem ficar sozinhos no campo de influenciar a sociedade.

Quer-se uma sociedade indiferente, bem anestesiada pelo relativismo ético, pronta a aceitar os progressos destruidores.

Quando é que alguns dos articulistas da nossa praça comunicacional respeitam quem defenda posições divergentes das suas, livremente, segundo a consciência e o dever da sua missão? Será que só eles têm o direito a influenciar a opinião pública?

A Igreja Católica, ao aproximar-se dos verdadeiros problemas do mundo actual e ao esforçar-se por indagar uma resposta, tal como intenta fazer sob impulso do II Concílio do Vaticano, aceita a pluralidade de culturas e a autonomia do mundo contemporâneo.

Olha o mundo, a sociedade, mais como humanidade-companheira-do-caminho do que inimigo-secularizador.

Está consciente da decadência de convicções, da fragilidade da afirmação, da identidade da diferença.

Não apontem a Igreja como adepta da homofobia, porque todas as fobias são doentias, mas não queiram a homologia do pensamento, por favor.

Juntar iguais, fugir da complementaridade, afastar-se da integração do diferente é depauperar a convivência social.

O debate de ideias tem pontos de partida, e por vezes de partido, cuja identificação não dificulta a busca da verdade, antes é via essencial de clarificação.

Ao intervir e manifestar a defesa de valores não pretende a Igreja ganhar votos, mas fortalecer quem optou por ser discípulo de Cristo e anunciar sem medo o que considera ser o melhor para a dignidade do ser humano, seja agradável ou não.

Não é para manifestar poder que declara as suas posições, mas tão-só por convicção profunda da beleza e bondade da proposta, que sabe difícil de viver também pelos seus.

Aqui o direito de influenciar é também dever.

D. Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa

O fim último da vida não é a excelência!

O fim último da vida não é a excelência!

"Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.

Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.

Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac.

É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos.

Quanto mais queremos, mais desesperamos.

A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade.O que não deixa de ser uma lástima.

Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!"

João Pereira Coutinho, jornalista.